terça-feira, dezembro 19, 2006
Triste Realidade
Agarro a mão estendida
Que me pede ajuda silenciosamente
Mostrando marcas de uma vida sofrida
E que agora se encontra perdida.

No cantinho de uma rua vazia
O seu lar é um pedacinho de calçada
Onde as estrelas são a companhia,
De mais uma pobre alma abandonada.

Alma que procura um pouquinho de razão
Para continuar a viver uma vida sem emoção
Onde somente manda a desilusão,
Afastando por completo a alegria do coração.

Rosto desolado que pede compaixão
Uma palavra, uma caridade,
Que possa atenuar a tristeza desta situação
Vivida sempre com dificuldade.

Não consigo dar a esta tristeza um fim,
Que jamais deveria nos nossos dias existir,
Custa-me ver este sofrimento assim
Cansado de tanta ajuda pedir.

Mão que irá continuar estendida
Esperando pela ajuda que tarda em aparecer,
Enquanto esta situação não for reflectida
Pelos inconscientes donos do poder.

Que nada querem fazer
Para ajudar estas pessoas a viverem
E que apesar de continuarem a ver
Deixam estas pessoas sofrerem.

Como seria perfeito caminhar pela rua
E nunca assistir a um estender de mão
Iluminado apenas pela luz da lua,
Que realça a dor desta aflição.

A mão lá irá continuar estendida
Por esta cidade inconsciente,
Que não quer procurar uma saída
Para um problema, o qual assiste indiferente.
 
posted by João Filipe Ferreira at 12:13 da manhã | Permalink |


8 Comments:


  • At 1:04 da manhã, Blogger Miudaaa

    Fizeste-me lembrar com este teu post, o Conto de Natal do Miguel Torga, que hoje assisti na RTP1, após o Telejornal.

    A mão que pede ajuda silenciosamente... e que me faz perguntar, porque tem que ser assim !!!

    Um beijo da miudaaa, na esperança que os teus dias sejam HAPPY GOLDEN DAYS !!!

     
  • At 2:38 da manhã, Anonymous amigos do luso/buçaco

    BONITO JOÃO!

    www.lusoprosecontras.blogspot.com

    HAVE A NICE DAY

     
  • At 10:27 da manhã, Blogger Titania

    É tão difícil agarrar uma mão que se nos estende,
    É tão difícil falar quando dentro de nós existe um coração ansioso por um abraço, mas que silenciosamente se cala,
    É mesmo tão difícil viver...

    Belo poema com tanta sensibilidade :)
    Um beijo e muitas Alegrias no Novo Ano que se aproxima

     
  • At 1:05 da tarde, Anonymous Anónimo

    Não estamos todos de mão estendida?

    o Pai Natal passou pelo meu blog e pergunta que prenda queres.
    beijos MDB

     
  • At 1:09 da tarde, Blogger Daniele

    João,


    Lindo este poema em que sela as mãos na atitude de dar , de tocar, de esmiuçar...de torná-la poemas, mesmo que triste seja a realidade !

    Bjos,
    Daniele

     
  • At 3:19 da tarde, Blogger Cris

    É assim, eu chorei, se há situação que me magoe é a precaridade da vida nas ruas, especialmente dos velhotes que apenas esperam pela morte e vão tentando sobreviver de uma maneira tão triste que corta o coração. Não há palavras, e nem o teu sorriso consegue iluminar tal tristeza.

    Bjo

    Cris

     
  • At 4:32 da tarde, Blogger mind

    lindo poem!
    eh d fact mto trist haver tantas maos estendidas a serem ignoradas...!
    bjitux!

     
  • At 4:53 da tarde, Anonymous Madalena

    Desculpa a invasão, mas "vi-te" no blog da Vera e como sou curiosa resolvi vir espreitar.
    E ainda bem que vim, pq gostei imenso do que vi e li.
    Acho engraçado um rapaz com a tua idade, um jovem, transparecer sentimentos tão bonitos, tanta sensibilidade...
    Parabéns e se te apetecer passa pelo meu blog:http://apenasmadalena.blogs.sapo.pt/
    Bjs
    Madalena

     


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